Antes de tudo gostaria de me desculpar, meus caros leitores, pela demora em postar, pois ultimamente estava sem inspiração para escrever, até ver o filme “Brilho de uma Paixão”.
“Brilho de uma Paixão” relata a vida do poeta romântico John Keats, ambientado na Inglaterra do século 19 e brilhantemente dirigido por Jane Campion. O filme narra a história de amor de John Keats e Fanny Brawne de uma forma poética e delicada, mostrando um amor etéreo e platônico. O desejo carnal é sublimado pelo sentimento mais puro do amor; as cenas dos personagens se acariciando, o delicado beijo onde as bocas apenas se tocam é de uma sensualidade ímpar fugindo totalmente dos clichês românticos.
O filme é realmente lindo, não mostra somente uma história de amor, tem uma bela reconstrução de época, a trilha sonora minimalista que nunca chega ser invasiva e, sobretudo a poesia de John Keats que é belíssima. Este filme é um verdadeiro elogio ao amor e à poesia.
Um ponto a levantar é o sofrimento do amor romântico, parece que todos os românticos estão fadados ao sofrimento. John e Fanny não conseguem concretizar seu amor, pois o poeta não tinha recursos financeiros para formar uma família e novamente a morte que os separa, John Keats morre aos 25 anos vitimado pela tuberculose.
Ao ver o filme, não pude deixar de fazer paralelos com o livro “Os sofrimentos do jovem Werther” escrito por J. W. Goethe, como um clássico da literatura romântica alemã, o protagonista da história Werther, não pode se unir a sua amada Charlotte, porque ela está prometida e posteriormente casa-se com Albert. Então o jovem Werther se mata por amor, o sofrimento do amor romântico em seu último grau até chegar ao suicídio. A morte é um tema constante no romantismo.
Outro ponto a acrescentar é com respeito à tradução, o título original do filme é “Bright Star” poderia ser traduzido como “Estrela Cintilante” que é o título de uma das poesias mais bonitas de Keats, mas infelizmente traduziram como “Brilho de uma Paixão” caindo em um clichê romântico, sendo o oposto do que se passa no filme, os tradutores deveriam respeitar a mensagem original ao traduzir.
Para Fanny Brawne, 1820
“Às vezes, temes que eu não te ame tanto quanto gostarias? Minha querida, eu te amo sempre e eternamente, sem reservas. Quanto mais conheci, mais amei. De todas as maneiras até meus ciúmes foram agonias de amor; no mais violento acesso que sofri, teria morrido de amor por ti. Já te atormentei demais, mas por amor! Posso evita-lo? Sempre te renovas. O último dos teus beijos sempre foi o mais doce, o último sorriso o mais luminoso, o último gesto, o mais gracioso. Ontem, quando passaste diante da minha janela, fiquei tão cheio de admiração como se te visse pela primeira vez”.
John Keats
Astro Fulgente
Fosse eu imóvel como tu, astro fulgente!
Não suspenso da noite com uma luz deserta,
A contemplar, com a pálpebra imortal aberta,
Monge da natureza, insone e paciente
As águas móveis na missão sacerdotal
De abluir, rodeando a terra, o humano litoral,
Ou vendo a nova máscara – caída leve
Sobre as montanhas, sobre os pântanos – da neve,
Não! mas firme e imutável sempre, a descansar
No seio que amadura de meu belo amor,
Para sentir, e sempre, o seu tranqüilo arfar,
Desperto, e sempre, numa inquietação-dulçor,
Para seu meigo respirar ouvir em sorte,
E sempre assim viver, ou desmaiar na morte.


7 comentários:
Grande Rico! Sempre com novidades legais e grandes posts. Adorei ver sua postagem, espero que continue assistindo a filmes inspiradores para sempre escrever posts de bom gosto como esse. Beijos.
Grande Rico! Sempre com novidades legais e grandes posts. Adorei ver sua postagem, espero que continue assistindo a filmes inspiradores para sempre escrever posts de bom gosto como esse. Beijos.
Ricardo, agradeco a homenagem e vinda dessa maneira junto a tao linda historia... Nao assisti ao filme ainda, mas seu post deixou-me curiosissima! Quem nao quereria assistir a um "elogio ao amor e a poesia", principalmente quando os personagens foram reais? Seu gosto artistico continua impecavel! Um abraco enorme, querido amigo e nao nos deixe sem posts por tanto tempo. E em postagens assim que sobrevivem as maravilhosas passagens da literatura. (Lindissima carta e poesia de keats!)
como sempre, um lindo e poético post. inspirador! fico feliz que tal história tenho te animado tanto. é a sua cara! bjos,
Querido amigo, não tenho quase vindo por aqui.Esta postagem valeu meu trabalho de abrir o pc [rsrssr]
lindo!
Sim todos os romanticos são fadados ao sofrimento eterno.
Beijos meu querido amigo
Rico, buenas!
anotei a dica e voltarei para palpitar sobre esse filme. Quando puder passe pelo Olhar. Saudades.
Beijao.
Obrigado por postar essa linda poesia, assisti ao filme e me apaixonei por Keats.
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