Finalizada a leitura do romance que considero o clássico dos clássicos do romantismo: A Dama das Camélias, autoria de Alexandre Dumas Filho.
O romance se passa na Paris do século XIX, retratando a vida da qual considero a primeira demi-mondaine da literatura: Marguerite Gautier.
O livro narra a história de amor de Marguerite Gautier e Armand Durval, mostrando como as diferenças sociais dificultam a concretização do amor.
Outro ponto é a questão da morte. Como o romance é considerado uma obra romântica, a morte não é vista com tristeza, pois só por meio dela conseguimos nos elevar para o verdadeiro amor.
Para o romântico, o amor que não é concretizado no plano material o será no plano espiritual. Sendo assim, a morte é bem-vinda, a elevação ao amor mais puro. O que seria do amor na vida perante a eternidade do amor na morte?
Alphonsine Plessis, demi-mondaine, mais conhecida pelo nome de Marie Duplessis, descrita como uma bela mulher: alta, magra, de longos cabelos negros e com um rosto pálido e rosado. Alphonsine Plessis foi amante de Alexandre Dumas Filho e morreu aos 23 anos de tuberculose, logo após receber a notícia de sua morte, o autor publica: “A Dama das Camélias”.
Alphonsine Plessis está enterrada no Cemitério de Montmatre a alguns metros da tumba de Alexandre Dumas Filho.
Após o sucesso do romance foi feita uma adaptação para o teatro pelo próprio autor, além das inúmeras adaptações para o cinema e o balet. A adaptação para o teatro que teve como protagonista a atriz Sarah Bernhardt deu notoriedade para a artista e é considerado seu papel mais marcante.
O romance serviu ainda de inspiração para Giuseppe Verdi compor a ópera “La Traviata” e recentemente inspirou Baz Luhrmann para escrever e dirigir o filme "Moulin Rouge".
Para finalizar este post uma passagem interessante do livro:
“Marguerite Gautier não tinha nenhuma razão de fingir um amor que ela não sentia, e eu digo que as mulheres também têm duas maneiras de amar que podem resultar de uma ou de outra: elas amam com o coração ou com os sentidos. Freqüentemente uma mulher toma um amante para obedecer unicamente à vontade dos seus sentidos, e aprende sem esperar o mistério do amor imaterial e não vive mais unicamente pelo seu coração”.
Alexandre Dumas Filho
N.A.
Como frequentemente uso o termo demi-mondaine neste blog, resolvi, caro leitor, explica-lo abaixo:
(Demi-mondaine: termo que surgiu na literatura francesa no século XIX, para retratar as mulheres entretenidas, as quais circulavam no grand-monde, por isso, demi-mondaine. Ao contrário das cortesãs que tinham vários amantes, as demi-mondaines tinham apenas um amante, normalmente rico e oriundo da aristocracia, elas faziam um pacto de fidelidade e em troca desta fidelidade eram sustentadas pelos mesmos e tinham acesso a todo o luxo possível: dinheiro, jóias, peles, vestidos etc.
Normalmente estas mulheres proviam de uma classe média, eram educadas, cultas e dotadas de classe. Muitas vezes, os amantes preferiam a companhia de sua demi-mondaine em ocasiões sociais do que de suas próprias esposas, não era demérito pertencer a esta classe de mulheres, pois para uma mulher de uma classe média era considerado uma elevação do seu status social).


15 comentários:
adorei!
mto interessante e bem pesquisado...
mto rico e substancioso.
Ricardo, gosto muito dos seus posts no blog. E aprendo muito com eles! Fantástico! Depois da literatura inglesa e francesa qual será a próxima?
Ricardo, que delícia seus posts literários, a gente tem uma visão da época, dos costumes e termos utilizados, além da obra que você aborda diretamente. Da Dama das Camélias só acompanhei o filme e a cena de morte da protagonista é imortal. Não havia associado Moulin Rouge, um de meus filmes preferidos, ao livro de Dumas, mas só me fez gostar mais ainda dos clássicos imortais que você tão bem comenta em seus posts... Compartilho a curiosidade do comentário de Sandra, o que virá a seguir? Talvez um alemão? Adoraria vê-lo comentar Werther, de Goethe, quem sabe? Abraços,
Olga.
romanticos não são para mim.. mas fiquei curioso. =)
Magnífica postagem amigo.A dama das Camélia é um marco na história.
Dumas filho foi uma pessoa sofrida e mal entendida em todos os aspectos de sua vida.
Adorei lembrar de Dumas filho e conheço o túmulo dele.
Beijos querido, apareça acabei de postar também.
AMEI. Post sensacional. Inteligente, didático, elegante. Deu vontade de ler, visitar os túmulos, assistir a ópera, tudo, tudo, tudo.
Meus parabéns!
E sobre as demi, as esposas oficiais não sabiam delas?
bjos,
e conforme você lê o livro você cria um post sobre ele?
coisas realmente boas...
não se descreve com palavras...
por isso não vou deixar nada a mais que esse comentario...
abraço.
Ricardo, excelente o seu blog! Temos muitos gostos em comum. Algumas destas obras são as minhas preferidas também! Agora... Imagine assistir À Dama das Camélias com Sarah Bernhardt no Theátre de la Renaissance?
Maravilhosa postagem... Voce viu o fime (mudo) com Ala Nazimova? Vale a pena... Veja uma postagem que escrevi em 5/2/2009... Já tinha notado que as iniciais de Armand Duvall sao as mesmas de Alexandre Dumas?
Gosto de Alexandre Dumas. As vezes bobo ele, por isso gosto. Bobeira está um pouco fora de moda, infelizmente.
Um grande livro. E, sim, o imobilismo social ainda vige.
Ei Rico! Primeiro me desculpe pela demora em vir aqui prestigiar essa beleza de post, depois parabéns por tão lindo e romântico texto. Como diz Vander lee:
"Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...
Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo..."
E românticos amam após a morte. bjo
Vir aquié sempre um grande prazer querido amigo.
Apareça,prometo que volto em breve.
Beijossssssssssss
sempre uma aula de cultura e arte...
e sempre belas dicas...
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