domingo, 20 de setembro de 2009

La Dame aux Camélias


Finalizada a leitura do romance que considero o clássico dos clássicos do romantismo: A Dama das Camélias, autoria de Alexandre Dumas Filho.


O romance se passa na Paris do século XIX, retratando a vida da qual considero a primeira demi-mondaine da literatura: Marguerite Gautier.


O livro narra a história de amor de Marguerite Gautier e Armand Durval, mostrando como as diferenças sociais dificultam a concretização do amor.


Ponto para reflexão: Como a posição social da família que nascemos irá influir nos nossos relacionamentos e no nosso destino? O amor de Marguerite Gautier e Armand Duval é separado pela moral burguesa representada pela figura de Georges Duval, pai de Armand Duval. E para terminar a história, a morte da protagonista Marguerite Gautier, vitimada pela tuberculose, põe fim ao grande amor.



Outro ponto é a questão da morte. Como o romance é considerado uma obra romântica, a morte não é vista com tristeza, pois só por meio dela conseguimos nos elevar para o verdadeiro amor.


Para o romântico, o amor que não é concretizado no plano material o será no plano espiritual. Sendo assim, a morte é bem-vinda, a elevação ao amor mais puro. O que seria do amor na vida perante a eternidade do amor na morte?


O porquê do nome “A Dama das Camélias?” Segundo o livro, Marguerite Gautier sempre ia ao teatro e aos bailes com um binóculo, uma bolsa com bombons e um buquê de camélias, brancas ou vermelhas. Nunca ela foi vista com outro tipo de flor em suas mãos, desse modo a sua florista a apelidou “A Dama das Camélias” e este nome a marcou.


La Véritable “La Dame aux Camélias”/ A Verdadeira “A Dama das Camélias”

Alphonsine Plessis

Alphonsine Plessis, demi-mondaine, mais conhecida pelo nome de Marie Duplessis, descrita como uma bela mulher: alta, magra, de longos cabelos negros e com um rosto pálido e rosado. Alphonsine Plessis foi amante de Alexandre Dumas Filho e morreu aos 23 anos de tuberculose, logo após receber a notícia de sua morte, o autor publica: “A Dama das Camélias”.



Alphonsine Plessis está enterrada no Cemitério de Montmatre a alguns metros da tumba de Alexandre Dumas Filho.


Un Roman Immortel/ Um Romance Imortal


Após o sucesso do romance foi feita uma adaptação para o teatro pelo próprio autor, além das inúmeras adaptações para o cinema e o balet. A adaptação para o teatro que teve como protagonista a atriz Sarah Bernhardt deu notoriedade para a artista e é considerado seu papel mais marcante.



O romance serviu ainda de inspiração para Giuseppe Verdi compor a ópera “La Traviata” e recentemente inspirou Baz Luhrmann para escrever e dirigir o filme "Moulin Rouge".


As personagens Marguerite Gautier (A Dama das Camélias), Violetta Varéry (La Traviata) e Satine (Moulin Rouge) proveem da mesma fonte de Marie Duplessis.


Para finalizar este post uma passagem interessante do livro:


“Marguerite Gautier não tinha nenhuma razão de fingir um amor que ela não sentia, e eu digo que as mulheres também têm duas maneiras de amar que podem resultar de uma ou de outra: elas amam com o coração ou com os sentidos. Freqüentemente uma mulher toma um amante para obedecer unicamente à vontade dos seus sentidos, e aprende sem esperar o mistério do amor imaterial e não vive mais unicamente pelo seu coração”.


Alexandre Dumas Filho



N.A.

Como frequentemente uso o termo demi-mondaine neste blog, resolvi, caro leitor, explica-lo abaixo:

(Demi-mondaine: termo que surgiu na literatura francesa no século XIX, para retratar as mulheres entretenidas, as quais circulavam no grand-monde, por isso, demi-mondaine. Ao contrário das cortesãs que tinham vários amantes, as demi-mondaines tinham apenas um amante, normalmente rico e oriundo da aristocracia, elas faziam um pacto de fidelidade e em troca desta fidelidade eram sustentadas pelos mesmos e tinham acesso a todo o luxo possível: dinheiro, jóias, peles, vestidos etc.

Normalmente estas mulheres proviam de uma classe média, eram educadas, cultas e dotadas de classe. Muitas vezes, os amantes preferiam a companhia de sua demi-mondaine em ocasiões sociais do que de suas próprias esposas, não era demérito pertencer a esta classe de mulheres, pois para uma mulher de uma classe média era considerado uma elevação do seu status social).


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pride & Prejudice


Finalizada a leitura de mais um grande clássico: “Orgulho e Preconceito”, autoria de Jane Austen.

"É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, deve estar em busca de uma esposa”.

Com esta frase, inicia-se Orgulho e Preconceito. A autora sinaliza, dessa forma, o mote do livro: certamente a obra tratará de relacionamentos amorosos, sobretudo casamentos.

A obra retrata a sociedade rural inglesa no final do século XVIII, tendo como protagonista Elizabeth Bennet, uma mulher moderna que estava à frente de seu tempo, pois decidia o seu destino, não aceitando interferência de ninguém.

Elizabeth Bennet

Jane Austen é mestra em analisar o lado psicológico do comportamento humano, com todas as suas contradições e idiossincrasias; mostrando que o orgulho e o preconceito interferem nos nossos julgamentos e na nossa maneira de relacionar-se com os outros porque, muitas vezes, a imagem que formamos de uma pessoa pode não corresponder ao seu caráter.


Elizabeth Bennet e Fitzwillian Darcy

Para isso a autora nos relata a paixão de Elizabeth Bennet e Fitzwillian Darcy que foi pautada no início com orgulho e preconceito e no desenrolar do romance, vemos claramente a real personalidade e o caráter dos personagens.

Além disso, Jane Austen tem uma grande habilidade para descrever as inúmeras situações da vida, ela vai da tristeza, sem cair na melancolia; até ao engraçado, sem ser caricata. Tenho que admitir que esses ingleses têm um refinado senso de humor.

A Little of Jane Austen / Um Pouco de Jane Austen


Jane Austen (1775-1817) escritora inglesa, considerada a segunda figura mais importante da literatura inglesa, depois de William Shakespeare.

Nascida na casa da paróquia de Steventon, em Hampshire (Inglaterra) era filha de um sacerdote, tendo vivido a maior parte de sua vida nessa região. Foi criada em uma numerosa família, teve seis irmãos e uma irmã: Cassandra, a mais velha, a qual era muito ligada.

O romance Orgulho e Preconceito é seu segundo livro, escrito antes dos 21 anos, e é considerado a sua obra-prima. Um grande talento que chega a causar inveja, alguém escrever uma obra-prima com tão pouca idade.


Orgulho e Preconceito é a obra a qual mais vejo traços da autora porque, para aqueles que leram a obra e conhecem um pouco da vida de Jane Austen, é quase impossível não fazer paralelos entre sua vida e obra. Creio que Elizabeth Bennet foi um alter-ego da autora.

Para fechar este post, uma citação da autora para refletirmos. E, escutem, logo em seguida, no vídeo a belíssima música Dawn, tema do filme, que traz Keira Knightley no papel da protagonista.

"A vaidade e o orgulho são coisas diferentes. O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos e a vaidade com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós".

Jane Austen


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Les Liaisons Dangereuses



Acabei de finalizar a leitura de mais um clássico da literatura universal “As Ligações Perigosas” escrito por Pierre-Ambroise-François Choderlos de Laclos.


O livro é extremante interessante, classificado como romance epistolar, ou seja, um romance inteiramente constituído por cartas, que são trocadas entre os personagens, criando dessa forma o enredo da história.


O romance se passa na França do século XVIII, retratando a decadente e ociosa aristocracia francesa em um período próximo à Revolução Francesa.

Marquesa de Merteuil, Visconde de Valmont e Madame Tourvel

Não posso deixar de mencionar o divertido quinteto amoroso formado por: Marquesa Isabelle de Merteuil, Visconde Sébastien de Valmont, Madame Cécile de Volanges, Cavaleiro Raphaël Danceny e Madame Marie de Tourvel.



Marquesa de Merteuil e Visconde de Valmont


Destaco a dupla maquiavélica e libidinosa formado por Marquesa de Merteuil e Visconde de Valmont que não medem as consequências de suas atitudes em benefício próprio, criando um ambiente de intrigas, traições e jogos de sedução.


Choderlos de Laclos nos mostra o quão baixo o ser humano é capaz de chegar, usando outras pessoas de forma maliciosa para obter vantagem e também nos mostra que a “Lei da Ação e Reação” sempre existiu, pois todos os personagens que se utilizaram o mal em seu benefício, no final acabaram recebendo o mal.


Um pouco sobre Pierre Choderlos de Laclos


Pierre Choderlos de Laclos

Laclos foi um exímio observador dos costumes de sua época, pois era oriundo de uma família que pertencia à nobreza e soube retratar como ninguém o círculo social que frequentava. No início do romance, Laclos cita uma frase de Jean-Jacques Rousseau “Vi os costumes de meu tempo, e publiquei estas cartas”.





Em setembro de 1781, Laclos pediu seis meses de afastamento do exército, pois era militar, para se dedicar à sua obra, o autor desejava escrever um livro que fizesse escândalo e fosse comentado mesmo depois de sua morte, obtendo grande êxito em sua empreitada.


Em março de 1782 “As Ligações Perigosas” era lançado ao público. O romance foi um sucesso instantâneo, tendo vendido só no primeiro mês 2.000 exemplares. O romance foi um verdadeiro furor literário, causando como desejava o autor um grande escândalo.


A Marquesa de Croigny ao finalizar a leitura da obra, ordenou aos seus criados: “Aquele senhor magro e amarelo, de roupa preta, que vem aqui frequentemente... Não estou mais para ele... Se ficar sozinha em sua presença, terei medo”.

Laclos Político


Pierre Choderlos de Laclos se relacionou com as grandes cabeças políticas da época; fora amigo do Duque de Orléans conspirando juntos contra a monarquia vigente, ao perceber a real intenção do Duque de substituir Luís XVI no trono da França, Laclos adere aos Jacobinos que depois o acusam de apoiar o Duque de Orleáns. Desgostoso com a política, Laclos volta a vida militar sob a proteção de Georges Jacques Danton, depois com a chegada de Napoleão Bonaparte ao poder, o imperador o nomeia ao posto de general-de-brigada devido ao seu passado militar, Laclos mostra bons serviços ao imperador, participando de vitoriosas batalhas.




Para finalizar este post, segue abaixo o trailer do filme da adaptação do romance para o cinema e antes que vejam, leiam uma frase divertida do autor sobre a condição humana:


"O nosso ridículo cresce na proporção em que nos dependemos dele".


Choderlos de Laclos


sábado, 16 de maio de 2009

Cannes 2009


De 13 a 24 de maio, ocorre o 62º Festival de Cinema de Cannes.
A Croisette fica efervescida para ver desfilar as estrelas no tapete vermelho, e logicamente atrás delas um mar enlouquecido de paparazzis.




Este ano o Festival nos brinda como Presidente a atriz Isabelle Huppert.


Acho Huppert uma atriz excepcional, apesar de não ser bonita, nem charmosa, tampouco elegante, mas traz em sua personalidade uma mistura de um ar intelectual, frio e cool que a faz ser tão autêntica.


Isabelle Huppert tem uma vasta filmografia, sendo umas das atrizes preferidas de Jean-Luc Godard e Claude Chabrol.



Adoro quando Huppert trabalha para Claude Chabrol, ele sabe como ninguém tirar o melhor desta atriz. Acho a sua melhor atuação foi no filme “Madame Bovary”, Huppert teve a verve perfeita para interpretar Ema Bovary.


Recentemente Huppert trabalhou para François Ozon na comédia “Oito Mulheres”, achei ótima no papel tragicômico de Augustine: uma tiazona mal-amada e angustiada. Neste filme pela primeira vez a vejo cantando a deliciosa canção “Mensagem Pessoal”.


Segue abaixo a atuação de Isabelle Huppert e em seguida a tradução da música:



Do outro lado da linha, há a sua voz
E palavras que eu não direi
Todas estas palavras que dão medo
Quando não provocam o riso
Que estão em filmes
Canções e livros demais.
Eu gostaria de dizê-las e vivê-las
Eu não o farei
Eu quero, eu não posso.
Sofro sozinha e sei onde você está
Eu irei, espere por mim – nós nos conheceremos
Prepare seu tempo – para você, eu tenho todo o meu
Eu gostaria de ir, eu fico, eu me detesto.
Eu não irei
Eu quero, eu não posso.
Eu deveria falar com você
Eu deveria ir
Aonde eu deveria adormecer.
Tenho medo que você seja surdo
Tenho medo que seja covarde
Tenho medo de ser indiscreta
Não posso dizer-te
Que te amo, talvez.

Mas se você um dia acreditar que me ama
Não pense que suas lembranças me incomodam
E corra, corra até perder o fôlego
Venha me encontrar.
Se você um dia acreditar que me ama
E se neste dia você tiver dificuldade
De encontrar aonde estes caminhos o levam
Venha me encontrar.
Se o desgosto pela vida chegar a você
Se a preguiça de viver se instalar em você
Pense em mim, pense em mim

Mas se você...



quarta-feira, 1 de abril de 2009

Os Amantes Eternos: Ana Karênina e Alexei Vronski




Dedico este post à minha amiga MARTHA THORMAN VON MADERS.


A mulher cuja beleza está à altura de sua cultura. Minha cara este post irá casar perfeitamente com: A Eterna e Romântica Moscou.



Acabei de finalizar a leitura do livro Ana Karênina e realmente fiquei impressionado com a beleza deste romance russo, pois estou acostumado com a literatura brasileira, portuguesa, francesa e inglesa, e este foi o primeiro livro da literatura russa que leio e seguramente não será o último.



Leon Tolstói



Leon Tolstói narra a história de amor de Ana Karênina e o Conde Alexei Vronski.

Tendo como pano de fundo a Rússia Czarista do século XIX, as relações entre as classes sociais e a hierarquia de poderes.



Vejo a dificuldade de se viver um grande amor, quando este se esbarra nos rígidos parâmetros da sociedade vigente, dificultando a concretização. Mesmo quando os cônjuges têm a suficiente coragem para enfrentar a sociedade, há sempre um preço a pagar, há perdas para ambos e, infelizmente, a mulher acaba sendo a mais lesada: reputação, família, filhos. O adultério de Ana não passa em branco para os padrões morais da época.





Gostaria de mencionar a frase inicial do livro que é de uma grande verdade e válida para os tempos atuais:


“Todas as famílias felizes são parecidas entre si. As infelizes são infelizes cada uma a sua maneira”.

Leon Tolstói




Tolstói não relata somente a história de Ana e Vronski. As descrições do livro são belíssimas: as damas da aristocracia, os bailes, as corridas, o balé, as cidades de Moscou e de São Petersburgo.


O autor me fez viajar no tempo quando descreveu o inicio da primavera em São Petersburgo com o degelo do Rio Neva formando enormes blocos de gelo que flutuavam, pois com a primavera se iniciava a vida social da cidade com os grandes bailes.




Sugiro a todos que aluguem a adaptação para o cinema deste romance intitulado “Ana Karênina” que traz Sophie Marceau no papel da protagonista, além da belíssima trilha sonora que inclui: Tchaikovsky, Rachmaninov, Prokofiev e o tradicional folclore russo.




Deixo abaixo, para finalizar este
post, um vídeo com algumas cenas do filme e aproveitem para viajarem no tempo, embalado pelo Lago dos Cisnes de Tchaikovsky.


domingo, 1 de março de 2009

A Bela das Belas


Uma pesquisa publicada no Reino Unido elegeu Audrey Hepburn a atriz mais bonita da história do cinema, desbancando fortes concorrentes como Sophia Loren, Julia Roberts, Cameron Díaz, Elizabeth Taylor, Brigitte Bardot, Marilyn Monroe e Vivian Leigh. Deixando o honroso segundo lugar para a voluptuosa Angelina Jolie e o terceiro lugar para a clássica Grace Kelly.
Os entrevistados justificaram a escolha por seu corpo e seus olhos amendoados.




Verifico que, apesar das belezas exuberantes e exóticas altamente propagados no mundo contemporâneo, o culto à beleza clássica greco-romana ainda impera em nossa sociedade. Isto confere a Audrey uma beleza atemporal.


Audrey Hepburn, a morena do corpo esguio, conquistou Hollywood em uma época em que as loiras platinadas de corpos curvilíneos dominavam a indústria do cinema, marcando seu espaço com seu porte e elegância.



Não devemos lembrá-la somente pela sua beleza, mas também pelos valores humanitários que propagou, pois na década de 70, ela ingressou na ONU como Embaixatriz da Boa Vontade cargo que exerceu até o fim de sua vida.



Para finalizar este post, deixo abaixo o vídeo que mostra o papel mais marcante de Audrey Hepburn; a demi-mondaine Holly Golightly no filme Bonequinha de Luxo com a belíssima canção ao fundo Moon River.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Viva Manu Chao


Ontem fui ver o show do Jose Manuel Thomas Arthur Chao, ou Manu Chao.

Realmente foi incrível sentir a sua energia no palco que acabou contagiando a todos. Chao nos proporcionou horas de puro êxtase!

Considero Manu Chao um dos músicos mais vanguardistas da atualidade, suas músicas são um verdadeiro patchwork musical, pois ele mescla diversos ritmos, idiomas e instrumentos em suas canções, criando um estilo único.

Verifico grandes influências da música francesa, espanhola, caribenha e do punk. Fora a incrível miscelânea de idiomas, pois em suas canções ele mistura: inglês, francês, espanhol, galego e português.


Suas canções são anárquicas não se prendem a nenhum estilo, são libertárias em sua essência. Esta liberdade literária de Chao faz com que suas canções sejam belas e únicas.

Outro fator que me fez admirar mais este incrível cantor, pois ao fazer a pesquisa para este post; verifiquei que apesar dele ter nascido em Paris, seus pais são do norte da Espanha: seu pai o escritor Ramón Chao é de Galícia e sua mãe é do País Basco. Assim, como meus avos que vieram de Astúrias, também localizado no norte da Espanha, além de ambas famílias terem deixado sua pátria por causa das perseguições políticas do Ditador Francisco Franco.



Sugiro a todos que comprem o CD Clandestino, pois o considero o melhor de sua obra!


Deixo abaixo uma frase de sua autoria:

“Pase lo que pase, sea lo que sea, próxima estación: ¡Esperanza!”

Manu Chao


Segue abaixo uma pequena amostra do show: